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“Estabilidade monetária é patrimônio de toda a sociedade”, enfatiza presidente do Banco Central

A estabilidade do sistema financeiro colabora para o bem-estar de todos nós brasileiros, pois garante a canalização de recursos para a atividade produtiva e para a inovação. A avaliação é do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto (foto ao lado), durante solenidade de transmissão do cargo de presidente do Banco Central, realizada no Edifício-Sede, em Brasília, nesta quarta-feira (13). Estiveram presentes o ex-presidente do BC Ilan Goldfajn e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O presidente do BC afirmou que "a experiência brasileira evidencia claramente como são elevados os custos de uma política econômica que não se compromete com a estabilidade da moeda".  E reforçou a necessidade de se manter o poder de compra da moeda. 

"A estabilidade monetária é um patrimônio de toda a sociedade e, quando bem conduzida, a política monetária tem ajudado a criar as condições necessárias para o crescimento econômico sustentado, para a proteção da renda das famílias e para o alongamento dos horizontes de planejamento, trazendo com isso melhorias nas condições de investimento, de geração de emprego e de bem-estar da população", defendeu. Clique para ler o discurso na íntegra

De acordo com Campos Neto, é preciso agora avançar em outras dimensões, fundamentais para o desenvolvimento pleno do mercado financeiro brasileiro e, em colaboração com outros órgãos de governo, dar um foco especial no mercado de capitais. 

"Refiro-me especificamente a quatro dimensões: inclusão, que significa facilidade de acesso ao mercado a investidores e tomadores, nacionais e estrangeiros, pequenos e grandes; precificação adequada, garantida por instrumentos de acesso competitivo aos mercados; transparência no processo de formação de preços e nas informações de mercado; e educação financeira, dando estímulo para a participação de todos no mercado e para a formação de poupança."

Ele também destacou a importância de se conferir ao BC autonomia formal, medida que faz parte das ações prioritárias para os primeiros 100 dias do atual governo. "Acreditamos que um BC autônomo estaria melhor preparado para consolidar os ganhos recentes e abrir espaço para os novos avanços de que o país tanto precisa".

Campos Neto elogiou ainda o trabalho desenvolvido pelo ex-presidente Ilan Goldfajn, cuja atuação para reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira foi reconhecida internacionalmente e afirmou que trabalhará para expandir as áreas de atuação da Agenda BC+. "É importante mantermos os ganhos recentes alcançados tanto na condução da política monetária, que tem se baseado na cautela, na serenidade e na perseverança, quanto na Agenda BC+ em seus quatro pilares". 

Em seu discurso de despedida, Ilan Goldfajn afirmou que "a Agenda BC+ é viva. Tem ações que ainda não se materializaram e outras que naturalmente devem surgir". E também defendeu a instituição de autonomia formal ao Banco Central: "Entre as ações futuras, queria ressaltar uma: a autonomia do Banco Central do Brasil. É necessário tornar a atual autonomia de facto em uma autonomia de jure. Seria um passo natural e contribuiria para reduzir o risco Brasil e elevar o crescimento de forma sustentável". Clique para ler o discurso na íntegra

Goldfajn destacou ainda que uma marca importante de sua gestão foi a busca por uma  "uma comunicação simples, direta e concisa, visando transmitir da melhor forma a visão do BC, inclusive as incertezas quanto à perspectiva de diferentes trajetórias para a conjuntura econômica. O aumento de transparência, através dos canais formais de comunicação, contribuiu para conseguirmos alinhar expectativas e projeções de inflação às metas de inflação para os próximos anos, objetivo principal do BC. Com a colaboração da diretoria, e do excelente corpo funcional desta instituição, cumprimos a missão institucional do Banco Central do Brasil, de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente".

Menos burocracia, mais transparência
Além da expansão da Agenda BC+, Campos Neto afirmou que o Banco Central está dialogando com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com o Ministério da Economia (ME) para desenvolver um conjunto de medidas para reduzir o custo burocrático e simplificar as regras tributárias. 

O presidente ressaltou também que tem se dedicado a desenhar o sistema financeiro do futuro e o papel da evolução tecnológica nesse cenário, sem esquecer da missão da instituição de promover a estabilidade de preços e a solidez do sistema financeiro. "A preparação do Banco Central para esse futuro tecnológico e inclusivo será um dos focos principais da minha gestão", garantiu.  

Ao final de seu discurso, Campos Neto concluiu: "queremos manter a inflação baixa e controlada, dando seguimento à ótima atuação da condução da política monetária, e continuar aprimorando nossos mecanismos de comunicação; manter o sistema financeiro sólido e eficiente, com um mercado de capitais maior, mais democrático, com a participação de mais pessoas e de mais empresas; reduzir o custo de intermediação financeira, aumentando a eficiência desse serviço e melhorando as condições de concorrência; tornar o mercado mais aberto para os estrangeiros, com uma moeda conversível que sirva de referência para a região; e reduzir o papel do governo, hoje um grande ator no sistema financeiro".

Fonte: Banco Central do Brasil

 
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