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O Cooperativismo de Crédito Mútuo

Um dos ramos mais dinâmicos do cooperativismo no passado, brutalmente esfacelado desde meados dos anos 60 e durante toda a década de 70, o cooperativismo de crédito busca novamente ocupar seu espaço, apesar de todas as dificuldades que lhe são impostas.
Tudo começou em 1902, no Rio Grande do Sul, sob a inspiração do Padre Jesuíta Theodor Amstadt, que conhecedor da experiência alemã, elaborada por Friedrich Wilhelm Raiffeisen (1818-1888), transplantou o modelo para o Brasil com enorme sucesso.
Esse tipo de cooperativismo aplicava-se, preferencialmente, junto a pequenas comunidades rurais ou pequenas vilas. Fundamentava-se na honestidade de seus cooperados e atuava basicamente junto aos pequenos produtores rurais e não importando o capital investido por seus associados.
Toda movimentação financeira era feita através de depósitos, que recebiam uma pequena remuneração. O sistema admitia que qualquer pessoa depositasse suas economias. Com as sobras, eventualmente apuradas, criava-se reservas para enfrentar com mais segurança momentos de instabilidade econômica.
Esse segmento do cooperativismo conseguiu um grande desenvolvimento no Rio Grande do Sul, desde sua implantação, chegando, inclusive, a dispor de uma cooperativa central com mais cinquenta cooperativas similares a ela filiadas.
No final da última década de 20, um segundo modelo de cooperativa de crédito surge no Brasil. Também pelas mãos da Igreja, e desta vez por leigos que, participando de um Congresso Mariano em Roma, conheceram o modelo desenvolvido pelo italiano Luigi Luzzati (1841-1927).
Diferenciava-se do modelo alemão pelo fato de exigir um pequeno capital, quando da admissão de qualquer cooperado e ter como público preferencial os assalariados, os artesãos e os pequenos empresários, comerciantes ou industriais.
Mais adequado para as condições brasileiras do que o modelo de Raiffeisen, o chamado cooperativismo de crédito popular se desenvolveu por aqui com uma velocidade espantosa.
Um terceiro e último modelo de cooperativa, criado pelo canadense Alphonse Desjardin (1854-1920) ou modelo Desjardiano, desenvolveu-se no país no final dos anos 50 e aqui teve condições de fixar raízes.
Posteriormente levantou-se o impedimento e as chamadas cooperativas clandestinas foram legalizadas. Em 1962, novo bloqueio foi baixado contra as cooperativas de crédito. 
Remontando ao período de crise do cooperativismo de crédito brasileiro, que compreende a segunda metade dos anos 60 até o início dos anos 90, percebe-se um novo desenvolvimento das cooperativas de crédito rural. Analisada a experiência do passado, e ciente de que o meio rural não teria condições de arcar com as altas taxas de juros que são cobradas pelas instituições bancárias, um cooperativista brasileiro chamado Mário Kruel Guimarães deu início a um processo de objetivos muito bem definidos, na tentativa de criar um verdadeiro Sistema de Crédito Rural cooperativo no país.
Esse projeto começou a ser deslanchado no ano de 1981 e teve muito boa aceitação no Rio Grande do Sul.
Nos Estados do Paraná e Santa Catarina, em 1984 começou-se a desenvolver esse tipo de cooperativismo. Nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás só dois anos depois é que começaram a surgir as cooperativas de crédito rural.
Após o processo reflexivo de análise do seu comportamento no passado, o cooperativismo de crédito rural renasceu em bases seguras e com uma proposta firme que o possibilitou identificar, ainda no nascedouro, qualquer desvio que pudesse prejudicá-lo no seu desenvolvimento.
Esse fato tem permitido, ao longo da década, e apesar dos percalços vividos pela economia brasileira, um nível de desenvolvimento sem precedentes, apesar da enorme dificuldade que tem encontrado.
As cooperativas de crédito, hoje, estão mais fortalecidas dentro do sistema financeiro. Os bancos cooperativos passam por um processo de consolidação, desde a criação e regulamentação do BANISCRED (Banco Cooperativo do Rio Grande do Sul e Paraná) em 1996 e a autorização para o funcionamento do BANCOOB (Banco Cooperativo do Brasil) pelo Banco Central em 1997, estabeleceu-se efetivamente um sistema de crédito exclusivo do cooperativismo, fazendo com que este segmento desse um grande salto para o desenvolvimento.
Segundo dados apurados pela OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), em dezembro de 1998 estavam filiadas ao sistema 890 cooperativas com cerca de 826 mil cooperados e 5.800 empregados.
A procura dos serviços prestados pelas cooperativas de crédito vem aumentando significativamente, principalmente pelo fato de oferecerem taxas de juros e custos de serviços significativamente mais baixos, enquanto os bancos comerciais têm pautado sua ação pela seletividade e exclusão da clientela de menor poder aquisitivo.
O cooperativismo de crédito tem como princípio básico a concessão de empréstimos individuais baseados em poupança coletiva, a promoção da educação econômica e financeira dos seus cooperados e o estabelecimento da poupança sistemática, chegando atualmente à prestação de serviços bancários completos.
Além disso, os recursos captados pelas cooperativas de crédito são aplicados em seu local de origem, aumentando a produção e atendendo aos fins sociais decididos pelos cooperados, com base em seus interesses comunitários.

 
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