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Roda de Conversa: Governança Cooperativa

O Sicoob Coopjus realizou, nos dias 11 e 12 de agosto de 2021, por meio da plataforma Zoom, uma Roda de Conversa sobre Governança Cooperativa com o objetivo de propagar informações e fomentar a discussão sobre as boas práticas de governança no meio cooperativista. O evento contou com a presença de quatro profissionais de referência na área de governança, que contribuíram muito para o nosso aprendizado.

 

Os temas do primeiro dia foram “Diretrizes para as boas práticas de Governança em Cooperativas de Crédito e suas Tendências Globais” e “Relatos e Experiências sobre a Governança Cooperativa e o Órgão Executivo”. Já no segundo dia de evento, as temáticas foram “O papel, as funções e a dinâmica de atuação do Conselho de Administração na Estratégia e sua relação com o Órgão Executivo - Conselho Fiscal sua interação com o conselho de Administração e a Diretoria Executiva” e “Relatos e Experiências sobre a Governança Cooperativa”.

 

A Roda de Conversa foi mediada pelo Vice-Presidente do Conselho de Administração do Sicoob Coopjus, Antônio Cláudio dos Santos Rosa.

 

 

Diretrizes para as boas práticas de Governança em Cooperativas de Crédito e suas Tendências Globais - Adriana Solé

 

Com atuação na área de Governança Corporativa, Adriana de Andrade Solé é Conselheira de Administração, professora, consultora e autora, e foi a responsável por abrir a nossa roda de conversa. Um dos temas abordados, logo no início do debate, foi sobre a universalidade dos princípios da governança: observância, divulgação, responsabilidade e senso de justiça.

 

Além disso, Adriana citou também as mudanças causadas pelo que chamou de “choque a cada cem anos”. Rigorosamente de 100 em 100 anos, um fato histórico acontece para mudar de vez nosso estilo de vida. Primeiro, a Praga de Marselha (1720); depois veio a Pandemia da Cólera (1820); Na sequência foi a vez da Gripe Espanhola (1920); e mais recentemente a Pandemia do Coronavírus (2020). Essa última, propôs uma série de mudanças no universo da governança, trazendo novos fundamentos, novos conceitos: transversalidade, resiliência, integridade e sincronicidade. Esse “choque" provocou mudanças de comportamento na economia e novos valores ganharam força: vida, proteção, solidariedade e humanidade.

 

Na sequência, foi a vez de abordar as novas tendências globais. Segundo dados da Harvard Law School, o tema Responsabilidade Corporativa, atrelada à mudança climática e sustentabilidade, tornou-se o foco principal das empresas. Diversidade, equidade e inclusão também demonstram um fortalecimento nas tendências globais.

 

Por fim, sobre as diretrizes para boas práticas de governança nas cooperativas de crédito, Solé explicou os diversos tipos de “governança” que existem e citou dois deles. A “Governança Social”, que se refere à composição de instituições do Estado, do mercado e do Terceiro Setor que atuam em um determinado Ente Federativo, numa determinada localidade, de modo complementar, buscando o desenvolvimento econômico e social. Ela explicou também o significado de “Governança Cooperativa”, que, segundo o Banco Central, é um conjunto de mecanismos e controles internos e externos, que permite aos cooperados definirem e assegurarem a execução dos objetivos da cooperativa, contribuindo para sua continuidade e para fortalecimento dos princípios cooperativistas: transparência, equidade, prestação de contas e conformidade legal.

 

 

PERGUNTAS:

 

Por ser mulher, o desafio no processo de governança é maior. Mas o que podemos fazer para minimizar isso? Por isso temos poucas mulheres nesse processo e em cargos de liderança? (Carla Generoso)

Resposta: A minha visão é que se trata de uma característica feminina, de opção. Porque tem hora que queremos ficar com o filho, com o neto, e tem hora que queremos "pegar o boi pelo chifre”. Acho que depende muito do ciclo de vida que estamos inseridos. Não é pelo simples fato de ser mulher, mas sim pela competência para ocupar a cadeira que a gente ocupa. A responsabilidade que temos, enquanto mulheres, vem de carga genética: se expor um pouco mais, depende muito do ciclo de vida. Temos que encarar tudo isso como um dia normal.

 

 

Relatos e Experiências sobre a Governança Cooperativa e o Órgão Executivo - Sérvio Túlio

 

Fechando o primeiro dia do evento, a palavra ficou com Sérvio Túlio de Carvalho, Diretor Coordenador Financeiro do Sicoob Divicred. Sérvio abriu sua participação trazendo experiências vivenciadas no ambiente cooperativo. Segundo ele, é comum um conselheiro ou gerente passar por diversas funções do Comitê Estratégico - ser preparado internamente - até ocupar um cargo superior. Dito isso, destacou a importância de se pensar na sucessão.

 

Na sequência da apresentação, Sérvio Túlio encerrou sua apresentação com foco na troca de experiências e relatos sobre Governança com participantes das outras cooperativas.

 

 

O papel, as funções e a dinâmica de atuação do Conselho de Administração na Estratégia e sua relação com o Órgão Executivo - Conselho Fiscal sua interação com o conselho de Administração e a Diretoria Executiva - Romeu Lima

 

Dando início ao segundo dia da nossa roda de conversa, o Servidor do Banco do Brasil e Coordenador do Deorf, Romeu Eugênio Lima, iniciou sua participação apresentando o contexto do sistema financeiro no mundo e no Brasil. Durante sua fala, ao apresentar os conceitos de Governança Corporativa, Romeu lembrou que em uma cooperativa o cooperado equivale ao proprietário. Para tomar decisões alinhadas aos interesses dos envolvidos, os gestores de uma cooperativa devem ter acesso às mesmas informações que seus cooperados. Ele destacou ainda que as cooperativas pertencem à sociedade e não aos seus associados e que, pensar dessa forma, com visão de perenidade, permite enxergá-la como ator de transformação na sociedade.

 

De acordo com Romeu, ao desempenhar a Governança, a cooperativa não pode abrir mão dos princípios cooperativistas, para não se assemelhar a uma instituição financeira comum. Além disso, o estatuto da organização deve deixar claro qual o papel a ser desempenhado por cada um e destacou a Política de Sucessão, fazendo uma comparação com uma corrida de revezamento, onde os gestores devem saber o momento de passar o bastão, pensando na formação sucessora.

 

 

PERGUNTAS:

 

Como você enxerga o futuro dos três tipos de cooperativas: as de livre admissão, capital empréstimo e segmentadas nos próximos dez anos? (José Ramos dos Santos - Sicoob Cofal)

Resposta: Antigamente tinha-se como panaceia a livre admissão. Acreditava-se que por meio dela todos os problema seriam resolvidos. Mas é importante destacar que cada um dos três tipos têm seu próprio nicho de mercado. O público tem de ser levado em consideração. É muito difícil trabalhar o cooperativismo de crédito justamente pelo fato dele ser muito heterogêneo, em todos os sentidos: de maneira regional (norte, sul, sul, sudeste, nordeste), pelas questões de porte de complexidade de operações. Mas acho que tem espaço para todo mundo. E tem a questão da digitalização que chegou para ficar. Todas elas, independentemente de ser livre admissão, capital empréstimo ou segmentada, o uso da tecnologia hoje é imprescindível.

 

 

Relatos e Experiências sobre a Governança Cooperativa - Almada

 

Graduado em Administração de Empresas e com MBA em Monitoramento e Avaliação de Projetos pela Sociedade Alemã para Cooperação Internacional, Marco Aurélio Almada enriqueceu ainda mais o debate trazendo suas experiências ao longo da vida. Diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob - CCS, Almada falou da importância e da responsabilidade de cargos dos Conselhos em uma cooperativa, muitas vezes “menosprezados” e sobre a importância de haver a divisão entre quem protege e quem executa (conselho e diretoria)

A respeito da pauta do Conselho de Administração, Almada trouxe a sugestão de organizar com temas deliberativos (aprovações) e informativos (receber informações dos administradores sobre o que está sendo feito), utilizando 30% do tempo para olhar o passado, 30% do tempo para tratar dos problemas de hoje e 40% do tempo para olhar para o futuro.

 

PERGUNTAS:

 

Há duas governanças: a da singular e a do Sicoob. Poderia comentar sobre a integração de ambas? (José Ramos dos Santos - Sicoob Cofal)

Resposta: Há sim a diferença entre a governança da singular, da central e do CCS. O elemento integrador é o planejamento estratégico sistêmico, que veio inicialmente para ter uma função mais orientadora. Antes, a cooperativa podia se inspirar no planejamento estratégico, e hoje, ele é um pacto sistêmico, um acordo entre todos os envolvidos. Este é o elemento integrador.

 

Como melhorar a falta de intercooperação entre as singulares? (Áurea Parreira - Sicoob Coopjus)

Resposta: É muito desafiador a intercooperação. O CCS tem a intenção estratégica de aperfeiçoar a intercooperação entre as singulares, porém hoje não há uma estrutura que permita isso. E também seria necessário alguém para tocar essa missão.

 

 

Nesses dois dias de roda de conversa, tivemos cerca de 50 participantes, entre eles, presidentes e diretores de outras Singulares, colaboradores e conselheiros do Sicoob Coopjus Confira as exposições na íntegra, clicando aqui.